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INVERNO + FONDUE = CERVEJA

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WARSTEINER – UMA HISTÓRIA FAMILIAR!

WARSTEINER – UMA HISTÓRIA FAMILIAR!

A Warsteiner é o que se pode chamar de uma mega cervejaria familiar alemã, que encanta o mundo com sua cerveja de qualidade secular inquestionável.

Por Leonardo Millen, jornalista experiente, especializado em lifestyle de luxo, turismo e gastronomia. Também é um apaixonado por cervejas, tanto que escreve a coluna “Saideira” na revista Go Where, mantém o perfil @saideira.beer no Instagram e é o editor-chefe do Mesa de Bar (www.mesadebar.com.br), o portal definitivo de notícias sobre bebidas que acaba de chegar ao mercado. Inclusive cerveja!

Confirma meu último texto: ICH WILL EINEN ERDINGER!

Olá amigos! Estou de volta para contar uma história fascinante de uma lenda viva da cervejaria alemã: a Warsteiner. Para começar, é preciso dizer que ela foi fundada oficialmente em 1753, quando o Brasil nem existia como país. Então se arruma na poltrona que lá vem história…

imagens texto Warsteiner
cidade de Warstein

Tudo começou quando o fazendeiro Antonius Cramer, da pequena cidade de Warstein, localizada no meio da bela floresta de Arnsberg, no coração da região de Sauerland, no estado de Renânia do Norte-Vestfália (perto de Colônia e Düsseldorf) começou a fazer cerveja em casa.

A coisa foi crescendo, os vizinhos pedindo… Daí ele começou a cobrar, e como na Alemanha as coisas funcionam, ele foi solicitado a pagar imposto sobre a cerveja, já que o volume de sua produção caseira ultrapassava o permitido para consumo pessoal estipulado pelas autoridades da época.

ESSE IMPOSTO PODE!

Taí um imposto a ser comemorado! Esse foi o start para Antonius batizar sua cerveja de Warsteiner (é comum na Alemanha as cervejarias adotarem o nome da cidade em que são produzidas) e estruturar sua produção “artesanal”. Seu filho, Johannes Vitus Cramer, viu que o negócio era próspero e decidiu continuar o sucesso de seu pai. Ousadamente, ele empreendeu: construiu a pequena cervejaria Domschänke (o que hoje conhecemos como um brewpub), no centro de Warstein, e foi à luta! Os negócios iam bem, o filho de Johannes, Casper Cremer, nasceu em 1774, mas, à medida que o moleque crescia, aumentava também a popularidade da cerveja Warsteiner.

logo Warsteiner

Entretanto, a pequena Domschänke ainda produzia muito artesanalmente, em pequenos lotes. Não dava conta da alta demanda. Inconformado com essa limitação, Casper resolveu apostar tudo e construiu, em 1803, uma nova cervejaria, moderna, de última geração e movida a vapor. Assim ele pôde fazer cerveja nos mais altos padrões e de forma eficiente o suficiente para colocar uma Warsteiner na mão (ou no copo) de cada pessoa que solicitasse.

Casper teve um filho, Albert, e lhe ensinou tudo o que sabia. O que não sabia ele proporcionou. Albert foi enviado para a famosa academia de cerveja, a Brauerschule, em Worms. Lá ele refinou o seu gosto pela cerveja, pela arte, pela cultura e desenvolveu uma paixão pela natureza, o que edificou toda a filosofia da marca Warsteiner para os próximos anos (ou décadas, ou séculos).

Albert retornou a Warstein aos 22 anos com o prestigiado diploma de Braumeister (mestre em Ciência da Cerveja) embaixo do braço. E não pendurou na parede. Ele preferiu cair dentro do negócio e acabou contribuindo definitivamente para a história da cervejaria. Depois da primeira Guerra mundial, a Alemanha estava economicamente falida. Mas quis o destino que, em 1927, a paixão de Albert pela natureza o levou a descobrir, no coração da floresta de Arnsberg, a Kaiserquelle, uma fonte de água mineral excepcional, única, que jorra uma água límpida e leve. Resultado: a Warsteiner é produzida desde então com essa “água milagrosa” que contribui para a experiência do sabor único dessa cerveja.

A descoberta da fonte Kaiserquelle demandou uma mudança no processo de produção e comercialização. A Warsteiner vendeu que nem a água da fonte e Casper se tornou um líder profissional de sucesso da então indústria cervejeira alemã. Porém, veio a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi praticamente destruída e precisou renascer das cinzas. Mas, obviamente, com cerveja! A Warsteiner foi, então, naturalmente crescendo conforme a demanda aumentava.

O negócio ficou tamanho que a moderna fábrica não dava mais conta. Daí, em 1976, o grosso da produção mudou-se do centro da cidade para a Cervejaria Waldpark, na periferia de Warstein.

Nessa época, Albert Cramer assumiu os negócios e contradisse o ditado: “O avô funda, o filho expande e o neto afunda”.  Visionário e excelente homem de negócios, ele transformou a cervejaria em uma potência, a sétima da Alemanha e uma das maiores mundiais. Vem daí o começo da internacionalização da Warsteiner, com ênfase no fantástico mercado norte-americano.

UMA TAÇA, UMA OBRA DE ARTE!

Cramer e sua equipe conseguiram desenvolver uma nova tendência cervejeira em restaurantes mais finos, tornando a cerveja socialmente aceitável em ambientes mais sofisticados.

Para isso, junto ao renomado designer de vidros Hermann Hoffmann, Cramer criou a tulipa Warsteiner, um estiloso copo de cerveja que carrega a imagem da marca Warsteiner até os dias de hoje.

A penetração e exposição foi tamanha que Andy Warhol imortalizou as três tulipas da marca, em 1984, em um de seus famosos quadros com silkscreen de objetos elevados à pop art.

O artista não só desenvolveu uma imagem que conseguisse expressar o símbolo da tulipa Warsteiner, como o fez de forma marcante. A arte apresenta três de seus clássicos copos, em formato de flauta, espumando com a famosa cerveja. Hoje, isso pode não ser visto de forma tão revolucionária, mas, na época, a ideia foi considerada excêntrica dentro do que se entendia como consumo de cerveja.

imagens texto Warsteiner
Artista da pop art Andy Warhol e o icônico quadro das taças Warsteiner

E era exatamente essa a ideia de Warhol (e de Cramer): mostrar que a cerveja vai muito além de algo para ser bebido por trabalhadores sedentos, em canecas rústicas e de forma trivial. Trata-se de uma bebida elegante e requintada, a ser consumida com calma, harmonizando com pratos ou durante eventos sociais. A Warsteiner, certamente, foi uma das primeiras cervejarias a promover essa ideia.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

Albert poderia bem ter saído na capa da Time ou da Forbes… Bom, quando ele morreu, em 2002, sua filha Catharina demorou um pouco, mas assumiu os negócios oficialmente em 2006.

Catharina Cramer
Catharina Cramer

A entrada de Catharina, fiel representante da nona geração da família Cramer na equipe executiva, marcou outra virada na história da empresa, pois ela se tornou a primeira mulher a ocupar um cargo sênior na tradicional masculina indústria cervejeira alemã.

Catharina seguiu e superou os passos de seus antecessores, pois inovou em modelos de gestão, aumentou a exportação e transformou com sucesso uma cervejaria alemã em uma das marcas líderes do setor globalmente.

Para se ter uma ideia, se na administração de seu pai a Warsteiner produzia 300 mil hectolitros, atualmente já superou a marca de 5 milhões de hectolitros (desculpe, mas não tenho os números atuais). Ou seja, o Albert fez as bases do império e a Catarina o expandiu.

A WARSTEINER HOJE

A cervejaria Warsteiner é incrível em vários sentidos. Ela continua no meio da floresta de Arnsberg, em uma área incomensurável e belíssima! Lembram do apreço do Albert pela natureza? Pois bem. Só para se ter um parâmetro, a área construída da cervejaria ocupa apenas 6% da floresta e mesmo assim ela é gigante, equivalente a 80 campos de futebol. O resto é tudo floresta preservada.

imagens texto Warsteiner
Fábrica da Warsteiner nos dias atuais

A produção continua a crescer e hoje a fábrica se tornou uma das maiores cervejarias em propriedade privada. Também é considerada uma das mais modernas instalações do ramo. Pode produzir, por exemplo, mais de 100 mil garrafas por hora, tanto que é referência para toda a indústria cervejeira alemã e até mesmo europeia.

Outro diferencial é que ela continua sendo uma empresa familiar, algo pouco comum no atual mundo das grandes corporações. Graças ao trabalho dos seus descendentes ao longo dos anos, do empreendedorismo e de uma estratégia internacional bem focada nos últimos 20 anos, a Warsteiner é atualmente consumida em 60 países e apreciada por sua alta qualidade.

No atual portfólio constam oito variedades de cervejas: Premium, Fresh, Dunkel, Radler, Herb (Double Hopped), Winter, Konig Ludwig Weissbier e Konig Ludwig Dunkel.

A fábrica pode ser visitada, mas eu nunca fui (quem sabe um dia). Dizem que ela é tão grande que o beertour é feito em um ônibus… Outra curiosidade que eu não deixaria de visitar é a Warsteiner Domschänke, aquela primeira fábrica-bar em Warstein que o Johannes construiu e que deu início a tudo. O brewpub funciona até hoje. Imagina tomar uma em um bar com mais de 200 anos!

Faça um tour virtual pela fábrica da Warsteiner https://www.warsteiner.com/ww-tour/WW-Tour2.html

A WARSTEINER NO BRASIL

A Warsteiner chegou ao Brasil por meio da Bier & Wein, que desde 1986, participa diretamente do desenvolvimento do mercado cervejeiro nacional, viabilizando a chegada de marcas de cervejas de todo o mundo, consolidando-se assim, como pioneira deste segmento no País.

No começo da década de 1990, a Warsteiner foi a primeira marca de cerveja importada pela Bier & Wein. A importação consistiu em: 108 caixas da cerveja, 400 barris e três equipamentos de chope. Atualmente, é uma das principais marcas do portfólio da empresa, estando entre as 4 mais vendidas.

Puxei na memória quando experimentei a minha primeira Warsteiner. Faz tempo… anos 1990 ou 2000. Só lembro que gostei e virei fã. Sempre que encontro com ela na prateleira ficamos no maior flerte… Por isso, meus caros amigos, há uma alternativa para você “paquerar” ela e levá-la para casa! E está bem aqui no Confraria Paulistânia Store da Bierwien, a importadora oficial da Warsteiner para o Brasil. Você, eu e todos que se interessam pelas cervejas alemãs de raiz podem ter facilmente a sua Warsteiner na mão (grande Casper). São quatro opções para seu deleite. Vamos lá:

imagem cerveja Warsteiner

Warsteiner Premium Beer

A cerveja Pilsen “top of mind” da Alemanha. Referência mundial e carro-chefe da cervejaria. É a cerveja mais comum, porém uma das melhores do estilo. Sua cor clara, dourada brilhante, de espuma persistente e elegante e aquele sabor amarguinho leve e refrescante encantam! Tem apenas 4,8% de teor alcoólico e combina com tudo, então pode se esbaldar, com moderação, claro. Está disponível aqui em garrafas de 330 ml ou 660 ml (ou em caixa com 24 e 12 unidades respectivamente) e também em barril de 5 L.

Warsteiner Dunkel

imagem cerveja Warsteiner

Um dos estilos que mais gosto. A Warsteiner Dunkel é naturalmente escura, por conta do malte meio tostado, que dá a ela um aroma e um sabor de caramelo e castanhas com um final levemente lupulado. Muita gente gosta de harmonizar com chocolate. Eu prefiro com uma bela linguiça ou aquelas salsichas brancas alemãs. Tem apenas 4,8% de teor alcoólico e está disponível aqui apenas em garrafas de 330 ml (em caixa com 24 unidades).

Warsteiner Double Hopped

Gosta do amargor? Pois essa aqui é a sua opção. Ela traz para os amantes da Warsteiner Premium Verum um toque a mais de lúpulo em uma típica lager alemã. Foram escolhidas as clássicas variedades de lúpulos ‘Hallertauer Perle’ e ‘Hallertauer Tradicional’, que são conhecidos por suas qualidades aromáticas e caráter frutado. O resultado é uma cerveja dourada, cristalina, com um equilíbrio perfeito entre o malte e a intensidade do amargor e excelente drinkhability. Tem apenas 4,8% de teor alcoólico e está disponível aqui apenas em latas de 500 ml (ou em caixa com 24 unidades). Essa também é coringa e gosto dela para qualquer hora e refeição. Escolha a sua preferida!

Warsteiner Fresh

imagem cerveja Warsteiner

Esta é a versão sem álcool da tradicionalíssima cerveja Warsteiner Premium Verum. Ela passa por um processo de “desalcoolização” – para ficar com 0,0% de teor alcoólico – sem interromper a fase de fermentação. Uma cerveja que tem seu valor para quem não deseja consumir bebida alcoólica e não abre mão da maioria das características da cerveja original.

Uma cerveja refrescante, lupulada, que pode ser consumida sem restrições, sendo perfeita para qualquer ocasião. Está disponível aqui apenas em garrafas de 330 ml (ou em caixa com 24 unidades).

Confira a matéria sobre cervejas 0 álcool: CERVEJA SEM ÁLCOOL, MAS COM MUITO SABOR!

Minha dica final é aproveitar que você está no site da Confraria para dar uma navegada pela loja e escolher quais Warsteiner encomendar. Ou todas! Vale também incluir outros rótulos da Bier & Wein no seu pedido porque sempre tem promoções irresistíveis de cervejas importadas e do portfólio da Paulistânia.

Espero que tenha gostado e… boas cervejas!

ZODÍACO CERVEJEIRO – PARTE 2

ZODÍACO CERVEJEIRO – PARTE 2

Por André “Carioca” Souza, beersommelier, mestre em estilos e técnico cervejeiro, estatístico de profissão, atua no mercado cervejeiro desde 2008 tendo feito seu primeiro curso com Leonardo Botto. Especialista em harmonização de cervejas e responsável pela divulgação de conteúdo do @embxdrs.da.cerva. Fala pessoal, tudo bem??? 

ZODÍACO CERVEJEIRO – PARTE 1

ZODÍACO CERVEJEIRO – PARTE 1

Por André “Carioca” Souza, beersommelier, mestre em estilos e técnico cervejeiro, estatístico de profissão, atua no mercado cervejeiro desde 2008 tendo feito seu primeiro curso com Leonardo Botto. Especialista em harmonização de cervejas e responsável pela divulgação de conteúdo do @embxdrs.da.cerva. Fala pessoal, tudo bem??? 

CERVEJA E HAMBÚRGUER, DÁ MATCH!

CERVEJA E HAMBÚRGUER, DÁ MATCH!

Por Candy Nunes, Sommelière de Cervejas, Mestre em Estilos, Técnica Cervejeira e apresentadora –  @candysommeliere

Dia dos Namorados, data tão deliciosa que nos reserva momentos de paixão e de muito amor!

NO MUNDO…

Você sabia que o Dia dos Namorados, na verdade, começa lá atrás no Império Romano?

Sim, o bispo da igreja católica São Valentim foi proibido de realizar casamentos pelo imperador Cláudio II, porém o bispo desrespeitou essa ordem imperial, afinal os casamentos realizados por São Valentim eram os casamentos que se baseavam no amor entre jovens apaixonados e sempre cheios de coragem em desobedecer a imposição.

A história de São Valentim não foi tão feliz e ele veio a ser decapitado no dia 14 de fevereiro do ano 270.  Mas, acontece que enquanto São Valentim esteve nas masmorras da prisão do Império Romano ele recebeu diversas cartas e bilhetes de jovens apaixonados pedindo sua benção e, dessa forma, o St. Valentines Day é comemorado em outros países no dia 14 de fevereiro.

Oração de São Valentim para encontrar um novo amor 

São Valentim, padroeiro do amor,
lança os teus olhos bondosos sobre mim.

Impede que as heranças emocionais dos meus ascendentes
e quaisquer erros que eu tenha cometido no passado
perturbem a minha vida afetiva.

Desejo ser feliz e fazer os outros felizes.

Ajuda-me a entrar em sintonia
com a minha alma gémea,
para que possamos desfrutar do amor,
abençoados pela Providência Divina.

Peço a tua intercessão poderosa,
junto a Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém.

NO BRASIL…

Contudo a história é muito diferente aqui no Brasil, pois quem nos representa é o Frei português Fernando de Bulhões, mais conhecido como Santo Antônio, o “santo casamenteiro”.

O Frei Fernando de Bulhões, em suas pregações religiosas, sempre destacava a importância do amor no casamento ao invés de outras questões relacionadas, como por exemplo, diplomacia entre famílias e união de fortunas.

Por conta dessas pregações, maravilhosas, de amor no casamento, logo após ser canonizado como santo o Frei Fernando de Bulhões, agora Santo Antônio, ganhou a merecida fama de santo casamenteiro e de principal realizador dos pedidos de amor entre apaixonados.

Em nosso país foi escolhida a data de 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio que é 13 de junho e assim, como em diversos países do mundo, aqui também existe uma forte tradição de troca de presentes e cartões de amor entre os casais de namorados.

E claro parafraseando o slogan perfeito da minha amiga querida Mônica Kuchembuck:
“- Flores são legais, mas cerveja é mais!”

E é por isso que hoje o meu presente aos namorados apaixonados por cervejas, será uma deliciosa dica de harmonizações entre cervejas e hambúrgueres.

Pensou que eu ia falar sobre harmonização com chocolate, né?  

Mas não, vamos sair do óbvio e vamos mergulhar em composições surpreendentes ao paladar e muito fáceis de serem replicadas aí mesmo no conforto da sua casinha.

Nada melhor do que uma harmonização a dois e um quentinho no coração para comemorar essa data.

HARMONIZAÇÕES SEM PRECONCEITO

Vou fazer então três harmonizações sendo a primeira mais leve, de baixa intensidade, a segunda de média intensidade, e a terceira bastante potente com intensidade elevada.

E olha só, nada de pensar que harmonização mais leve é pra mocinha enquanto a harmonização robusta é pro mocinho. Aqui namoradas e namorados tem o direito e a delícia de escolherem o que mais agrada ao paladar, sem preconceito. Afinal, toda forma de amor vale a pena e toda forma de sabor recompensa!

Para realizar essas harmonizações eu tive o imenso prazer de conhecer um e-commerce especial, o da Wessel. Fui surpreendida com muitas novidades e, o mais legal foi que eu recebi os produtos que eu escolhi muito bem embalados e acondicionados. A experiência desde o momento da escolha e da compra até o recebimento foi perfeita.

Os itens que compuseram a montagem desses hambúrgueres eu comprei no supermercado mais legal do meu bairro que é o Superville! Lá você encontra uma padaria com grande diversidade de pães para hambúrguer e uma qualidade inigualável. Lá também, eu comprei os queijos, legumes, folhas e outros produtos para compor a montagem. Qualidade e preço você encontra no Superville, vá e confira.

Para a aquisição das melhores cervejas, não preciso nem dizer o quão maravilhoso é o e-commerce da Confraria Paulistânia Store, onde eu pude escolher cervejas fantásticas para compor essas harmonizações. Leia abaixo e confira:

Primeira Harmonização

cerveja kriek e o hambúrguer meta da wessel


Meta Burger Wessel (páprica, tomate e alecrim) com Kriek Boon

Ingredientes:

01 hambúrguer Meta Burger Wessel
01 pão de gergelim
60g de repolho roxo
60g de repolho verde
50g queijo camembert
02 maçãs pequenas
03 colheres de maionese vegana
01 colher de sobremesa de azeite
sal e pimenta do reino a gosto


Modo de Preparo:

 Pré aqueça a Airfryer por cinco minutos a 200°. Retire os hambúrgueres da embalagem e coloque para assar por aproximadamente oito minutos. Caso a potência do seu aparelho, seja menor ou maior, adapte ao tempo necessário.

É importante que o hambúrguer não perca a suculência. Corte os repolhos em tirinhas pequenas, descasque e pique as maçãs e coloque tudo num bowl.

Adicione sal, pimenta do reino e azeite. Depois adicione as três colheres de maionese e mexa até uniformizar, reserve.  Corte o pão e leve ao forno para aquecer.

Corte o queijo camembert em tiras fininhas.  Monte o seu hambúrguer colocando a maionese na parte inferior do pão, o hambúrguer ao meio e acima o queijo camembert.

Abra sua Kriek Boon e seja feliz!

Essa cerveja tem apenas 4% de ABV e fermentação espontânea com adição de cerejas (Krieken). Uma receita feita com o blend de Lambics jovens e envelhecidas, maturadas em tonéis de carvalho. Fresca, vermelha, paladar ácido-doce e autêntico sabor de cerejas.

Saiba mais em BOON: PASSADO, LEGADO E FUTURO.

Segunda Harmonização

cerveja tempelier e o hambúrguer bovino da wessel

Hamburguer Bovino Orgânico Wessel com Tempelier

Ingredientes:

01 hambúrguer Orgânico Wessel
01 pão de Brioche
50g queijo gruyère
Folhas de rúcula
Maionese verde a gosto

Para essa harmonização o método de cocção que escolhi foi a brasa.

Acendi a churrasqueira e preparei a brasa de carvão até fazer uma cama aquecida para receber os hambúrgueres orgânicos da Wessel.

Como há uma grande variação de potência e temperatura para cada churrasqueira, mantenha toda a atenção ao preparo do seu hambúrguer. Nunca saia da frente da sua churrasqueira até que ele atinja o ponto certo.

Corte os pães e coloque a parte do centro virada para a brasa, para dar uma leve tostada, isso faz toda a diferença. Corte o queijo gruyère em fatias finas e reserve.

Pronto, com os hambúrgueres e os pães no ponto faça a montagem colocando a maionese na parte inferior do pão, o hambúrguer ao meio e acima a rúcula e o queijo.

Agora é a vez de você se surpreender abrindo a Tempelier!

Esta Belgian Pale Ale é uma cerveja refermentada na garrafa, delicadamente lupulada, com notas adocicadas do malte e frutadas da levedura.

Por orientação do mestre cervejeiro, a levedura contida na garrafa deve ser servida junto com a cerveja, garantindo sua turbidez típica. Com 6% de ABV e 25 IBU, esta cerveja será uma experiência inesquecível.

Conheça melhor esta cerveja medieval, leia: TEMPELIER E OS CAVALEIROS DE DEUS

Terceira Hamonização

cerveja 8.6 e o hambúrguer smash da wessel

Smash Burger Wessel (bacon e queijo) com 8.6 Red

Ingredientes:

01 Smash Burger Wessel (bacon e queijo)
01 pão australiano
01 cebola grande
02 colheres de sopa de açúcar mascavo
01 colher de sopa de molho de soja
½ colher de sopa de azeite
Maionese de alho a gosto

Para a preparação desse potente hambúrguer, continuamos a apostar na brasa utilizando a churrasqueira.

Cebola para acompanhar a cerveja e o hambúrguer

Desta vez, deixei que o braseiro ficasse mais forte, pois este hambúrguer é mais alto do que o orgânico. Enquanto o hambúrguer pegava o ponto, aproveitei para fazer a cebola caramelizada.

Numa frigideira coloque meia colher de sopa de azeite para aquecer, depois coloque as cebolas cortadas em rodelas, essas rodelas não precisam ser muito finas. Quando a cebola atingir um ponto translúcido, coloque as duas colheres de sopa de açúcar mascavo e deixe caramelizar. Quando o açúcar estiver incorporado a cebola coloque a colher de molho shoyu e mexa até que todos os ingredientes fiquem homogêneos, reserve.

Assim que o hambúrguer estiver próximo ao ponto da sua preferência, lembre-se de colocar o pão na grelha, sempre com a parte do meio virada para brasa. Agora vamos a montagem!

Na parte inferior do hambúrguer coloque a maionese de alho, depois disponha o hambúrguer e coloque por cima a cebola caramelizada. Cubra com mais maionese de alho. Atenção! Coloque quanta maionese você preferir!

É hora de conhecer a potência da 8.6 Red!

Uma Strong Red Lager de coloração profunda, que dependendo da luz traz vários tons de vermelho. Seu sabor adocicado, revela agradáveis sensações desde as primeiras notas, de malte tostado com um toque de caramelo.

Uma cerveja maltada, com notas poderosamente doces e carameladas, com um leve amargor. Com o ABV de7,9 tem um sabor diferente de tudo que você já experimentou.

Recomendamos a leitura: 8.6 O MÁXIMO EM CERVEJA!

Então agora é a hora de visitar o site da Confraria Paulistânia Store e fazer seu pedido!

ASSISTA O PREPARO DESTAS HARMONIZAÇÕES – CLIQUE AQUI

Surpreenda o seu amor com cervejas incríveis e um clima perfeito de romance maltado. Mas, se por acaso você estiver só, lembre que não há nada melhor do que alimentar seu amor-próprio e, se presenteie com essas maravilhas! Ah… depois me contem tudo, aqui!

ICH WILL EINEN ERDINGER!

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ESCOLAS CERVEJEIRAS

ESCOLAS CERVEJEIRAS

Por Candy Nunes, Sommelière de Cervejas, Mestre em Estilos, Técnica Cervejeira e apresentadora –  @candysommeliere Um dia antes da pandemia, eu estava com um grupo de amigos num bar, onde algumas pessoas na mesa eram especialistas em cerveja e outras apenas entusiastas. Em nosso papo muito se 

CERVEJA ALEMÃ: UMA TRADIÇÃO!

CERVEJA ALEMÃ: UMA TRADIÇÃO!

Por Anderson R. Lobato, dentre vários defeitos: Santista sofredor, Homebrewer, Sommelier de Cervejas, pai do Dudu e amante de um @Pao_Liquido. 

Fala cambada de cervejeiros, tudo bem por aí? Turma, por aqui ainda nos cuidando bastante e na expectativa da chegada da vacina para o quanto antes nos encontrarmos nos bares por aí. Quem topa?

Pessoal, vocês acompanharam as notícias do cancelamento da Oktoberfest em Munique – Alemanha, também neste ano de 2021? Pois é. Mesmo a pandemia desacelerando por lá, a taxa de vacinação em alta e ainda afetando diversos empregos diretos e indiretos, o governador do estado da Bavária, Markus Soeder, cancelou o evento visando a preservação da saúde dos moradores, turistas e pessoas envolvidas com a festa. Mais um ano sem a mais tradicional festa cervejeira em todo mundo.😥

Leia também: OKTOBERFEST: COMO SURGIU O MAIOR FESTIVAL DE CERVEJA DO MUNDO

O Oktoberfest que faz da cerveja alemã uma tradição
Ciclista atravessa a área onde é realizada a Oktoberfest em Munique, em frente à igreja de St. Pauls, na Alemanha
Foto: Matthias Schrader/AP

Más notícias a parte, gostaria de perguntar a vocês: o que faz (ou fez) da Alemanha e de suas receitas cervejeiras uma referência em qualidade e tradição na produção de cerveja em todo o mundo, a ponto do planeta, galáxia que vivemos ficar bem triste com a ausência deste festão? Concorda com essa afirmação?

Vem com a gente conhecer esse mundo de aromas, sabores e claro, história da cerveja no país do chucrute.

A cerveja migrou com o passar dos anos através do império romano e movimentos há época de comércio e expansão territorial vindos da Mesopotâmia. A turma “Alemã” adorou e adotou rapidamente aquela bebida trazida junto com os Celtas, do início da era Cristã (olha a igreja de novo aí minha gente) e a figura da igreja e seus monges, na produção do nosso Santo Pão Líquido.

Processo migratório dos povos Celtas vindo da Mesopotâmia

Fonte: blog Seguindo os Passos da História / Leandro Vilar

Ainda que hoje, obviamente, isso se alterou. Concordemos, que lá pelos anos 1300, 1400, as coisas não eram das mais organizadas e nem das mais gostosas, não é mesmo?

Até então, as cervejas eram basicamente “temperadas” com especiarias, ervas e talvez frutas secas denominadas “gruit” (misturas de ervas para dar sabor e amargor naquela época). Apesar de alguns registros de lúpulo, não tínhamos nada estruturado até então.

A mudança do “gruit” para o lúpulo foi gradual, porém os benefícios eram inegáveis – além de conferir amargor e aromas agradáveis à bebida, o lúpulo agia também como conservante natural desta belezinha chamada cerveja.

Portanto, falar de uma “Lei de Pureza” na produção de cervejas, padronizando os principais ingredientes e cuidados com a qualidade do produto, certamente era um grande avanço intelectual e tecnológico para a época. Não é mesmo? É, estes caras já começaram bem..heihie..

A LEI DA PUREZA – 1516 – Reinheitsgebot

Pausa – Dou 30 segundos para vocês conseguirem pronunciar o “palavrão” acima. Vai lá: 30..29..28…kkk Pelo Google a pronuncia seria: “ra͜inha͜it͜sɡəbo”, ou seja, não entendi nada. kkk

A lei da pureza que faz da cerveja alemã uma tradição

Brincadeiras à parte, essa palavra justamente traduzia o significado de “Lei da Pureza”, também conhecida como Lei de Pureza da Baviera, de 1516.

Definia que dentro daquela região (Baviera), utiliza-se apenas 3 ingredientes para a fabricação da cerveja – água pura, malte e lúpulo – traduzindo, portanto, em um “selo de qualidade” em cerveja, definidos pelo Duque da época.

A fermentação e tratamentos de fungos e leveduras no mundo, ainda era um fato desconhecido, e só viria a tona mais adiante na história pelas mãos do Cientista Louis Pasteur no século XIX.

Como toda história, tem o lado bonito de “padronizar” e gerar “qualidade” no mercado, mas, muitos comentam que na realidade o Duque queria era garantir formas de tributar o produto, a partir de quantidades, padrões e critérios específicos. Vindo desta turma de reis e duques há época, faz sentido essa versão não é ? Aliás, até hoje.

Fato é: essa limitação fez com que as técnicas e equipamentos se desenvolvessem fortemente, buscando novos métodos para a produção cervejeira, garantindo muita coisa boa e cuidado na produção, que curtimos até os dias de hoje.

Mas será que somente isso faria destes tais “Alemães” a principal referência mundial em cerveja? Acho que ainda não estamos convencidos, certo? Bom, vamos tentar mais um pouco.

ESTILOS E CERVEJAS DA ESCOLA ALEMÃ

Mais uma pausa importante – Não é porque o nome é “Escola Alemã”, que teríamos cervejas e estilos somente deste país. A República Tcheca é parte desta escola e nos brinda com o estilo mais consumido em todo o mundo – O Pilsner, originário da região de mesmo nome neste país.

Voltando – É notório que a principal família de estilos nesta escola seja o “Lager”. Essa palavra significa aguardar, esperar, armazenar. E convenhamos, lá atrás ainda sem grandes tecnologias, essa turma guardava cerveja até debaixo da terra para sair um produto de qualidade, ainda sem conseguir dominar as técnicas de fermentação, que já comentamos no início do nosso texto.

A paciência germânica ajudou e muito no processo de sedimentação das cervejas, com maturação mais longa e temperaturas bem amenas. Esse processo dá à cerveja uma limpidez tanto física, deixando a cerveja mais clara, como reduzindo a sua interferência no sabor e aroma da cerveja dessa região.

As cinco marcas que fazem da cerveja alemã uma tradição

A grande maioria dos estilos produzidos debaixo desta escola “Alemã” são Lagers, ou seja de fermentação abaixo de 11-12º graus. Apenas 4 estilos não são Lagers (são Ales ou Híbridos) e são eles: 

·         Weissbier, a cerveja de trigo tradicional da Bavária;

·         Kölsh, original da cidade de Colônia;

·         Altbier da cidade de Düsseldorf; e

·         Berliner-Weisse de Berlim.

Aliás, ponto importante: será que essa turma de alemães são “bairristas”? Kkk. Quase nada… Desde a idade média, e até nos dias de hoje, são muito comuns as cervejas locais e seus estilos “do bairro”, sendo inclusive ponto de discussão histórico por essa turma por muitos anos. Mas aí já é pauta para outra história e mais alguns goles, é claro.

E por aí? Será que consegui convencê-lo da importância da Escola Alemã na produção de cerveja mundial? Não, não quero fazê-lo mudar de opinião, todas as escolas e estilos foram e são importantes, porém não tenhamos dúvidas de que os Alemães deram um passo e um apoio enorme para organizar o que chamamos hoje de mundo cervejeiro. Não à toa para muitos, merecem sim, o título de referência mundial em cerveja.

Ufa deu sede e, por aqui, já estou no segundo copo e aí, Copo cheio? Qual estilo?

Felizmente a Confraria Paulistânia Store, um dos principais e-commerce no Brasil em cerveja, nos brinda com muitas opções da Escola Alemã em seu site, aliás, não somente em quantidade, como em qualidade, trazendo ao Brasil as principais marcas da região: Erdinger, Wasteiner, HB, Konig Ludwig e Stiftung Hell, excelentes!

Corram para o site e garantam estas delícias para aquecer o friozinho. Enorme abraço a todos, se cuidem e Ein Prosit a todos!

Texto recomendado: A BAVARIA QUE AMAMOS!

BOON: PASSADO, LEGADO E FUTURO.

BOON: PASSADO, LEGADO E FUTURO.

Por Aline Araujo, Sommelière de Cervejas, professora e empresária com formação em administração de empresas e especialização em marketing. Mais de 10 anos de experiência no mercado de bebidas. A história da premiada cervejaria belga que é sinônimo de cerveja Lambic na Bélgica e no mundo. 

MÚSICA E CERVEJA

MÚSICA E CERVEJA

Por André “Carioca” Souza, beersommelier, mestre em estilos e técnico cervejeiro, estatístico de profissão, atua no mercado cervejeiro desde 2008 tendo feito seu primeiro curso com Leonardo Botto. Especialista em harmonização de cervejas e responsável pela divulgação de conteúdo do @embxdrs.da.cerva. Pessoal, vocês já repararam 

ARTESANAL X INDUSTRIAL

ARTESANAL X INDUSTRIAL

Conheça as diferenças entre cerveja artesanal e cerveja industrial

Por Rodrigo Sena, jornalista, sommelier de cervejas especializado em harmonizações, técnico cervejeiro, criador de conteúdo para o YouTube e o Instagram @beersenses

Cerveja artesanal é boa? E cerveja industrial é ruim? O que você acha, qual sua opinião? Mas, espera, qual a diferença entre uma cerveja artesanal e uma cerveja industrial? As cervejas vendidas hoje em dia não são todas feitas em fábricas?

Galera, nesse meu artigo aqui eu vou refletir sobre essas questões. E para responder perguntas do presente, nada melhor do que olhar para a história, para o que aconteceu no passado, em busca de entender o momento atual. Acompanhe meu raciocínio turma.

A HISTÓRIA DAS MÁQUINAS

A Revolução Industrial foi um grande marco na história da humanidade. Ela teve início na segunda metade do século 18, na Inglaterra, mas se espalhou para todo o mundo, e ao longo de décadas promoveu a mudança dos processos produtivos com uma grande evolução tecnológica para a época. Tarefas, até então feitas manualmente, passaram a ser feitas por máquinas e a produtividade passou a ser o foco.

Charlie Chaplin – Tempos Modernos

O processo de produção cervejeiro é muito minucioso, precisa de muito controle, por isso foi positivamente impactado pela Revolução Industrial. Tecnologias como a refrigeração artificial, o termômetro, as caldeiras, e outras, contribuíram muito para a evolução da cerveja.

Desde então, a tecnologia evoluiu bastante. Hoje temos a chamada Indústria 4.0, com máquinas muito avançadas, conectadas e sendo operadas por algoritmos de Inteligência Artificial. Sim meus amigos, robôs já estão produzindo todos tipos de produtos, desde carros e eletrodomésticos, até medicamentos, alimentos e cerveja! É isso mesmo, já existem fábricas de cerveja no mundo que não possuem nenhuma interação humana.

O QUE É CERVEJA MAINSTREAM?

Durante o século 20, a economia global – comandada pelos EUA – passou a ter foco em volume e redução de custos de produção para aumentar o lucro das empresas. É o famoso Capitalismo.

E, até mesmo a cerveja, se tornou capitalista. A criação de um estilo de cerveja chamado American Lager é exatamente a síntese disso: uma cerveja barata de produzir em grande escala, para ser consumida em grandes quantidades.

Com base nas receitas de lagers claras da escola alemã – oriundas da Bohemian Pilsner de 1842 – os americanos criaram seu próprio estilo de lager mais barata para ser produzida. Isso porque, basicamente, uma American Lager recebia menos quantidade de malte e de lúpulos do que as primas alemãs e tchecas, ficando com menos sabores, mais neutra, mas muito refrescante para ser consumida em grande quantidade.

Bingo: estava criada a cerveja Mainstream – termo que significa algo como “corrente dominante” em português e serve de adjetivo na economia para rotular produtos ou tendências que dominam seu mercado.

No caso da cerveja, cerca de 90% do consumo global da bebida é de American Lagers e derivadas. Por isso são chamadas de cervejas Mainstream, por dominarem absurdamente o mercado.

Importante deixar claro que o termo Mainstream não quer dizer cerveja industrial. Se algum dia o mercado global de cervejas mudar, e 90% do consumo for de cervejas artesanais, elas serão as cervejas Mainstream – só em sonho mesmo, mas serve como exemplo!

O RESGATE DA CERVEJA ARTESANAL

Vivemos em ondas, isso é um fato. Normalmente, depois de uma onda de guerras, por exemplo, vivemos uma onda de valorização da paz – foi o que aconteceu após as duas grandes guerras no século 20, quando o movimento hippie surgiu ganhando força pregando paz e amor.

Campanha na Inglaterra para valorizar a cerveja artesanal em relação a industrial

E isso também aconteceu com os alimentos. Após décadas de valorização e expansão de alimentos industrializados no século 20, os anos 2000 começaram com uma nova onda de valorização de alimentos artesanais, frescos, feitos por produtores locais e usando ingredientes naturais.

É nesse ponto que entra o resgate da cerveja artesanal. Na verdade, no final da década de 70, os ingleses iniciaram uma campanha pedindo de volta sua cerveja tradicional. O movimento foi chamado de CAMRA (Campaign for Real Ale, Campanha pela Cerveja de Verdade em português).

Esse movimento atravessou o Oceano Atlântico e chegou aos EUA. Curiosamente, o mesmo país que criou a Mainstream, foi o berço do renascimento da Cerveja Artesanal.

Nas décadas de 80 e 90, um grande movimento surgiu na América, com a criação da B.A. (Brewers Association), entidade e classe que representa as cervejarias artesanais nos EUA.

Com isso, o business cresceu e se espalhou para outras regiões do mundo, chegando ao Brasil no início dos anos 2010. Nos EUA, a B.A. delimita o que pode ser chamada de Craft Beer e o que não pode. Aqui no Brasil não existe essa definição, e há muita confusão.

Capa do Guia da Cerveja Industrial e Artesanal

DIFERENÇAS ENTRE ARTESANAL E INDUSTRIAL

A linha entre alimentos artesanais e industriais nem sempre é muito clara. Há muita confusão, muitas vezes provocada pelo marketing das empresas que chamam de artesanal qualquer tipo de produto, sem distinção, o que confunde os consumidores.

Basicamente, podemos entender como conceito de uma produção artesanal, aquela que utiliza muitos processos manuais, com trabalho humano diretamente envolvido na produção, e feita com ingredientes primários, naturais e sem a adição de substâncias químicas.

Tomando por base esse conceito, uma cerveja artesanal é aquela que é produzida com muita interação humana, com técnicas tradicionais, com ingredientes mais puros e sem a utilização de corantes, estabilizantes, conservantes ou outro produto químico.

Claro que isso limita a produção. O processo mais manual tem menos produtividade, os ingredientes custam mais caro, com logística de entrega e armazenagem mais complexa, e o volume de produção é menor.

Tudo isso, inclusive, encarece a cerveja artesanal, mas o resultado final é bastante perceptível. Mas mesmo nas cervejarias artesanais há tecnologia, há máquinas, há foco na produtividade. Até porque, são empresas e precisam ter lucro.

Importante não confundir cerveja artesanal com cerveja caseira, aí é outra história. Cerveja artesanal é feita em uma fábrica, com licenças sanitárias para a produção, seguindo normas e regras, com controle de qualidade. Já a cerveja caseira é aquela que eu faço no fogão da minha casa – faço mesmo no fogão pessoal! Importante ressaltar: é proibido vender cerveja caseira, não comprem.

Já no processo industrial, a cerveja é produzida com o mínimo de interação humana, utiliza ingredientes modificados, com foco  na produtividade. Mas isso não significa que o resultado deva ser uma cerveja ruim.

NÃO EXISTE CERTO OU ERRADO!

Hoje em dia há muitas cervejarias grandes, que exportam para todo mundo suas cervejas especiais, e que possuem uma produção mais industrializada para poder ter volume, reduzindo os custos e empregando cada vez mais tecnologia não só no processo de produção como no rendimento dos ingredientes. E, como vimos, isso é diferente de ser uma cerveja Mainstream.

Existe certo ou errado? Pra mim não. São características diferentes, de produtos diferentes. E isso acontece não somente com a cerveja. Hambúrguer artesanal é diferente de hambúrguer industrial, por exemplo.

Sim, cerveja artesanal também é diferente de cerveja industrial. Na minha opinião, existe mercado para os dois, existem pessoas que gostam dos dois. E mais do que isso: existem momentos onde cabe o consumo de artesanal, e momentos onde cabe o consumo da industrial.

O que eu acho errado é enganar o consumidor, aí não é legal. Chamar de artesanal uma cerveja que é industrial, tentar ludibriar o cliente confundindo tudo, isso é que não é legal.

Aqui mesmo, na Confraria Paulistania, há excelentes exemplos de cervejas industriais muito boas, que são exportadas para todo o mundo. Mas há também aqui as cervejas artesanais igualmente maravilhosas. Identifique seu gosto e a sua ocasião, e bora escolher a sua.

Que seja artesanal ou industrial, o importante é beber cerveja boa e que você goste.

Saúde amigos confrarianos!

Leia outros posts deste autor: PURO MALTE, SER OU NÃO SER… e CHOPE E CERVEJA: UMA QUESTÃO CULTURAL E NÃO TÉCNICA