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PARIS 2 – BOLERO DE RAVEL NA CHAMPS ELYSEES

PARIS 2 – BOLERO DE RAVEL NA CHAMPS ELYSEES

Por Luiz Caropreso, professor, sommelier, escritor, consultor e colunista para a área de cervejas. Diretor da BeerBiz Cultura Cervejeira.

Olá meus amigos cervejeiros.

Conforme havia dito, neste mês darei continuidade às minhas aventuras zitogastronômicas em Paris. (leiam o texto PARIS 1 – “JE VEUX T’ACHETER UNE BIÈRE”  neste Blog).

Antes de mais nada, criei uma playlist no Spotify e, para que tenham uma experiência sensorial mais bacana, gostaria que colocassem-na para tocar enquanto lêem este texto.

Segue o link:

Talvez vocês possam estranhar algumas das músicas mas tenho certeza que todas se relacionam com alguma passagem do texto a seguir.

CONTINUER L’HISTOIRE…

Depois de uma boa noite de sono, acordamos bem cedo e, após um belo banho, nos preparamos para mais um dia de exploração da Cidade Luz. Só para corrigir uma falha, no texto anterior, me esqueci completamente de dizer que o amigo que viajava comigo se chamava Gustavo.

Pois bem, nos dirigimos à recepção e nosso host “Saddam” já se encontrava a postos atrás do balcão. Com um sorriso largo perguntou o que pretendíamos visitar naquele dia.

Respondi que iríamos caminhar pela Avenue Champs Elysees até o Arco do Triunfo e circular um pouco pela cidade. Saddam pegou um outro mapa da cidade onde se destacavam os monumentos principais e as estações do Metrô e assinalou à caneta os possíveis trajetos para nosso intento.

Caminhamos até a Boulangerie onde tomamos nosso café da manhã, pedimos um básico café com leite e croissants na manteiga e demos uma volta nas ruas próximas para conhecer o comércio local, antes de nos dirigirmos à estação Brochant do metrô.

Três coisas chamaram minha atenção.  Um supermercado muito bem abastecido com alimentos e bebidas, um tipo de empório que vendia queijos artesanais e geleias e uma loja que expunha na calçada várias malas, mochilas e bolsas.

Entramos rapidamente no supermercado e compramos duas cervejas geladas, para começar os trabalhos do dia. Novamente optei pela Hopfenkonig, tanto pela leveza e frescor quanto pela facilidade da tampa easy open. Para acompanhar, eles tinham charcutaria fatiada na hora. Compramos uma bela porção de jambon (presunto) cru e fomos à luta.

Eu já havia dito que a rede metroviária da cidade é fantástica e a gente pode comprar bilhetes válidos por vários dias? Pegamos o metrô e em alguns minutos estávamos em nosso primeiro destino.

PARA O NOSSO TRIUNFO: UMA TEMPELIER

A caminhada pela Champs Elysees era bem mais longa do que eu imaginava e, enquanto nos movíamos, parecia que eu ouvia o Boléro de Ravel dando ritmo aos meus passos. De repente, um aroma inebriante de perfume invade a avenida. Estávamos a uns 100 metros de uma loja da Sephora.

Aproveitei para procurar um rimel que minha filha havia pedido e vi um balcão com vários perfumes abertos que a gente podia experimentar.

Me servi de meu preferido, Acqua Di Gió e voltei para a caminhada feliz da vida.

Chegamos no Arco do Triunfo, depois de quase duas horas. Quero dizer que não achei nada de mais, mas a emoção de estar ali era muito intensa.

A essa altura, a fome e a sede já gritavam. Por sorte, a poucos metros havia um setor com vários restaurantes que serviam em áreas cobertas, na calçada.

Entramos num desses e no menu, um outro prato que eu queria experimentar: Boeuf Bourguignone. Não pensei 2 vezes, pedi 2 pratos e duas cervejas Corsendonk Tempelier pra acompanhar. Que delícia. De repente o Gustavo solta essa frase: “parece o cozidão que minha avó faz!”

paris 2 bolero de ravel e o Arco do Triunfo

Vocês tem que experimentar essa harmonização. É algo que tange à perfeição.

Nossa sobremesa foi Crêpe Suzette, a famosa panqueca banhada com calda de laranja e flambada com um licor dessa fruta, que veio acompanhada de uma bola de sorvete de creme. E não é que a Tempelier ornou, mas tão bem, que fomos “obrigados” a pedir mais uma!

OS BELOS DA TARDE

Após o almoço, decidimos andar mais um pouco pelas margens do Sena. E eis que vemos uma placa indicativa com os dizeres:

Chapelle Notre-Dame de la Médaille Miraculeuse (Capela Notre-Dame da Medalha Milagrosa)

Meu coração pulou de emoção e gritei ” Gustavo vamos conhecer a Notre-Dame”. Na caminhada para a nossa próxima atração,  comecei a vislumbrar as Torres da Capela.

paris 2 bolero de ravel e a nave da Catedral de Notre Dame
30 metros da porta à nave?!?

Confesso que achei que seriam mais imponentes. 

Ao chegar, outra coisa que estranhei. A tal Notre-Dame ficava nas dependências de um prédio que já havia sediado um antigo presídio ou convento, não entendi bem.

Aliás, não estava entendendo nada. Nunca havia lido sobre isso no meu curso de arquitetura. Pois bem, adentramos os portões da edificação e nos deparamos com uma “igrejinha”, linda, mas muito modesta, digamos assim, para minhas expectativas sobre Notre-Dame.

Minha impressão era de que a Capela não devia ter 30 metros da porta à nave.

Muito frustrados, compramos umas medalhas de Nossa Senhora para presentear a família e nelas a inscrição confirmava serem de Notre-Dame. Saímos meio cabisbaixos e nos dirigimos a uma estação de metrô rumo à Brochant.

Ao sair da estação, vi um cartazete anunciando um show do Gotan Project, uma banda parisiense que tem como proposta revisitar o tango (Gotan é tango com as sílabas invertidas).

Já tínhamos programa para a noite.

UM TANGO EM PARIS

Paramos no boteco onde o clochard me pagara uma cerveja (leia em Paris-1 neste Blog) para mais dois copos de Praga, passamos pelo hotel para outro banho, roupas limpas e fomos para o Casino de Paris, no n° 16 da Rue de Clichy.

Muito próximo ao Casino, havia uns bares, tipo Pub, que vendiam cerveja pra tomar ali e em copos descartáveis para poder levar no show.

Escolhi uma Nora da Baladin , que bebemos antes do show e abastecemos dois copo descartáveis com a fantástica 1795.

O aroma do lúpulo Saaz perfumou o ambiente do Pub. O show foi fantástico. Tango pop, cantado em espanhol por músicos parisienses (alguns são argentinos).

O espetáculo acabou cedo e às 21h já estávamos na rua do hotel Viator.

TRAINDO A CAUSA

Decidimos ver o que mais havia de interessante nas cercanias e a uns 100m pra frente havia um Bar des Vins muito atrativo chamado Le Refuge des Moines.

Não pensei duas vezes, entramos e fomos encaminhados por um jovem, que era o próprio dono do local, a uma mesa tipo bistrô, com bancos altos.

Nos ofereceu 2 vinhos de produção exclusiva para a casa. Para acompanhar, uma porção de patês e frios  guarnecida por delicadas torradinhas de baguete.

Foi nosso jantar.

paris 2 bolero de ravel e a Boulangerie La Princesse

No dia seguinte já havíamos programado visitar tudo o que conseguíssemos do Louvre.

Como sempre, tomamos nosso café na Boulangerie La Princesse, que fica na Avenue de Clichy, 87 (pra quem reclamou, tá aí a dica) e “partiu Louvre”.

Ao descer na estação, comecei a ouvir uma melodia que me lembrou a Rússia.

Conforme andávamos pelos corredores em direção ao Louvre, o volume do som ia aumentando.

E eis que nos deparamos com um grupo em trajes típicos, entoando canções do folclore russo e afins (me lembro de ouvir Katiusha por exemplo). Emocionante. De arrepiar.

Passamos o dia no museu.

Outro banho de cultura.

Saímos por volta das 17h e nos dirigimos para nosso ponto de referência: Brochant.

TENTAÇÃO A FRANCESA

Como era cedo, decidi passar no supermercado e na loja de queijos artesanais que havia visto no primeiro dia.

Fiquei alucinado na sessão de queijos e embutidos. Tudo muito barato, em comparação ao Brasil.

Acredito que comprei uns 5 kg entre queijos e charcutaria.

Atravessei a rua e fui à loja dos queijos artesanais. Todos feitos com leite cru, sem pasteurização!

Comprei mais 1 ou 2 kg sortidos entre queijos de leite de vaca, cabra e ovelha. Voltamos ao hotel e eu me pus a acondicionar tudo que havia comprado no frigobar do quarto.

Nosso jantar foram frios – salames, copa, presunto cru, queijos – roquefort, camembert, brie, reblochon e cervejas adquiridos no mercado.

As cervejas?

Todas Urthel: duas Samaranth e duas Hop-it!

C’EST FINI

Nosso último dia em Paris e eu queria dar um último “rolê”.

Fomos de metrô até a Champs Elysées e pegamos um ônibus de 2 andares que fazia um “City tour” pelos principais pontos turísticos.

Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Museu do Louvre e de repente, a Igreja de Notre-Dame – a verdadeira.

Gritei para que o motorista parasse e pudemos enfim conhecer uma das igrejas mais lindas e famosas do mundo!

paris 2 bolero de ravel e a Catedral de Notre Dame
A verdadeira!!!

De lá para a estação Brochant, seguimos comemorando com a queridinha 1795 que tomamos, durante o trajeto, no gargalo.

Antes de me dirigir ao hotel, passei pela loja de malas que havia comentado no início deste texto e comprei uma dessas malas compactas que a gente pode levar dentro do avião.

Chegando no quarto, coloquei todos os queijos, chocolates e charcutaria que havia comprado numa das malas que eu levara e transferi roupas e objetos pessoais para a mala nova.

Desci para a lavanderia onde havia deixado a “malona” e aparentemente, nenhum sinal de arrombamento.

AU REVOIR, SADDAM!

Acertamos nossa conta na recepção, com um abraço bem brasileiro no gentil Saddam, chamamos um taxi e partimos para o aeroporto Charles De Gaulle.

Na fila do check in eu não consegui disfarçar a tensão, até despachar minha bagagem.

Tudo certo. Ninguém falou nada e minhas malas se foram pela esteira.

Mais tranquilos, já na área do embarque internacional, passamos num bar e pedimos 2 sanduíches – presunto com queijo brie e duas cervejas Oude Geuze Boon – Vat 91, envelhecidas em barril onde fora maturada sidra.

Uma delícia simples e sofisticada.

Sentamos na sala de espera de embarque e ficamos de olho no painel.

Dali uns 20 minutos, percebo que nosso vôo estava atrasado. Nesse momento, aparece um alerta vermelho dizendo que nosso vôo estava cancelado.

Um funcionário da companhia aérea comunicou que acontecera um problema em um dos banheiros da aeronave e o voo seria adiado por 10 horas.

Na minha cabeça, uma única frase: meus queijos!😲

A Air France adaptou as dependências de um dos saguões do aeroporto, onde só haviam cadeiras de plástico, mas pelo menos tinha sanduíches e água mineral à vontade.

Passamos a noite tentando relaxar naquelas acomodações improvisadas e eu continuava pensando na mala com os queijos no compartimento de bagagem do avião, sem refrigeração.

Pela manhã, enfim, fomos encaminhados ao nosso voo rumo ao Brasil.

A viagem foi tranquila e 11 horas depois desembarcamos em São Paulo.

TUDO PELOS MEUS QUEIJOS!!!

Assim que saí da aeronave, segui em desabalada carreira para as esteiras de bagagem e me posicionei o mais próximo possível da boca de saída das malas.

Após uns 10 minutos, que pareceram 2 horas, percebo um cheiro muito estranho. Pra quem conhece off flavours, era um isovalérico muito forte. Pra quem não sabe o que é isso, parecia o chulé de 100 atletas após 90 minutos de futebol. Era minha mala, obviamente.

Imaginem minha cara me dirigindo à alfândega e todos me olhando e fazendo cara de nojo!

Meu coração estava quase saltando pela boca quando cheguei na aduana. Fechei os olhos e acertei o botão. A campainha não tocou. Abri os olhos e a luz estava verde, ou seja, minha bagagem não seria inspecionada.

Enfim uma notícia boa.

Me dirigi “impávido e colosso” à fila dos táxis. Dei um abraço no Gustavo e falei para o taxista. Vamos para a Mooca.

O cheiro dos queijos nos acompanhou a viagem toda.

Chegando em casa, dei uma bela gorjeta ao taxista e disse: higieniza seu porta-malas.

Era um sábado e minha família estava toda em casa.

Quando minha filha abriu a porta, não conseguiu disfarçar. Fez uma careta antes de me abraçar e beijar.

Para não alongar mais, quero dizer que tudo estava em perfeitas condições de consumo.

Minha mala foi higienizada e ficou ao sol por uma semana.

Os queijos, frios e chocolates que eu trouxe foram consumidos em diferentes encontros com família e amigos, acompanhados de várias cervejas que comprei na Confraria Paulistânia.

Todas as cervejas que citei e mais um portfólio delicioso você encontra em bares e restaurantes no Brasil e na Loja Online da Confraria Paulistânia Store.

Até a próxima!

PARIS 1 – “JE VEUX T’ACHETER UNE BIÈRE”

PARIS 1 – “JE VEUX T’ACHETER UNE BIÈRE”

Por Luiz Caropreso, professor, sommelier, escritor, consultor e colunista para a área de cervejas. Diretor da BeerBiz Cultura Cervejeira. Olá meus amigos fãs das boas cervejas “bierundweinrianas”. Tenho aproveitado este espaço para compartilhar com vocês minhas aventuras “zitogastronômicas” (como já expliquei, o prefixo “zito” refere-se a